Thursday, February 21, 2008

Um pensamento

Aquele que não nos quer pelo que fazemos, não nos merece pelo que somos...

Osculações & Amplexos,
AlmaMater

Tuesday, January 22, 2008

Frio

O ar está frio...

E nada sinto...

Apenas o ar...
Frio...

Busco-te por entre a multidão
Mas não estás lá...
Não sei onde andas
Somente sei que te quero!
Pressinto a tua presença!
Olho para trás
Mas nada...
A multidão que cavalgava a rua
Desapareceu...
Deixando atrás de si uma rua deserta
E inóspita!
Somente sobraram as pedras da calçada como recordação...
Somente elas se lembram
Somente elas ficaram!

Por onde andas?
Não me queres dizer?
Eu vou ter contigo...
Nem que seja no fim do mundo
Só para te poder ver uma ultima vez...
Tocar-te uma ultima vez...
Antes deste meu corpo partir
Deste mundo devez!!!

O fumo do cigarro enrola-se à minha volta
E eu enrolo-me nele
Uma eterna relação de amor/ódio
Uma eterna permuta sem relação

Uma estúpida acção minha deu cabo de tudo o que tinhamos
Mas o que é que tinhamos mesmo?
Não me lembro...
Eu queria ter-te
Mas tu apenas querias passar tempo comigo
Eu queria pertencer-te!
Mas tu apenas querias estar comigo...
Um estar momentanio
Um estar pastilha
Em que se come, chupa e quando o sabor acaba deita-se fora...
E troca-se por outra...
Um estar momentanio...

E agora nada resta...
E agora só a solidão e as memórias de outros dias
Permanecem...
As memórias!
Malditas sejam elas mais o desejo de te ter!!!
Como eu as detesto!
Porque é que tenho que ter memórias...
Especialmente memórias de ti!
Essas memórias destroem-me
Consomem-me!
Aniquilam-me!

Entretanto aqui estou eu
Ao frio...
E mais nada sinto
A não ser o frio...
Tudo porque morri
Sem te ver uma ultima vez...


Osculações & Amplexos,
AlmaMater

Sunday, May 06, 2007

O Regresso


Estou a caminho de casa!
E enquanto o autocarro percorre o asfalto,
Eu percorro as memórias deste fim-de-semana!
E as lágrimas percorrem a minha face...
Nunca pensei que ainda estivesse tão envolvido em ti...
Mas o facto é que estou!
Esta é a realidade!
Uma realidade que me atromenta,
E me consome...
Só me resta perguntar,
Porquê?
Sim, porquê é que és uma pessoa tão linda?
OH! Como tudo seria mais fácil se não o fosses...

Osculações & Amplexos,
AlmaMater

O Reencontro


Sentado no café Saboreio o meu cigarro...
E aguardo a tua presença com alguma ânsia e medo...
Como é que será reencontrar-te ao fim de tanto tempo?
Busco uma resposta a esta pergunta,
Mas não a consigo encontrar...
Há tanta coisa que gostaria de te dizer...
Há tantas formas como gostaria de te tocar...
De te olhar...
De te beijar...
De te sentir...
Mas de certo que será o mais convencional!
Como diz o povo:
“O tempo não volta para trás!”
Mas continuo com aquela esperança,
Apesar de ser muito ténue
Ela ainda existe...
Uma réstia de esperança!

Osculações & Amplexos,
AlmaMater

Saturday, May 05, 2007

Esquecer




Afogo-me nas lágrimas que verto
Por não te ter perto de mim...
Rasgo a minha pele
Para que a dor física seja superior
À dor que sinto dentro de mim...
Consumo todo o tipo de drogas
Para que a realidade seja menos cruel...
Encharco-me em álcool
Para poder esquecer...
Esquecer a terrível realidade em que vivo...
Mas tudo isto é em vão...
A dor continua cá!
A realidade é sempre a mesma!
E eu não te consigo esquecer...

Osculações & Amplexos,
AlmaMater

A Escarpa




Do alto da Escarpa
Vislumbro o mar
A beijar violentamente
As rochas por baixo de mim...
Como dois amantes
Em pleno acto carnal...
A violência é tal
Que pedaços de rocha
Caiem ao mar!
Num misto de amor e ódio
De desejo e ensejo
De querer e de ter
DE possuir o que de mais sagrado existe!
E no fim...
Atingir o nirvana!
O orgasmo final!
O Pleno!!!

Osculações & Amplexos,
AlmaMater

Friday, May 04, 2007

"C"


Acaricio-te os cabelos para te adormecer...
O cheiro dos nossos corpos invade o quarto...
Beijo o teu corpo para poder sentir o teu sabor com os meus lábios...
Sinto o teu calor no meu corpo enquanto te envolto com os meus braços...
E assim adormeces...
Sorris...
Um simples sorriso de prazer, de quem se sente aconchegada e protegida...
E ali fico...
A olhar-te...
A acariciar-te...
E assim passo a noite...
De manhã quando acordas, sorris...
O brilho dos teus olhos ao ver-me
Ali...
A teu lado,
Ilumina o meu dia...
O cansaço que sentia, por ter passado a noite em claro, desaparece nesse momento...
E sussurras um:
"Bom dia Amor"
E assim, fazes-me sentir o homem mais feliz do mundo...
És simplesmente linda!

Osculações & Amplexos,
AlmaMater

Thursday, May 03, 2007

A Noite


Procuro os teus braços
Preciso do teu calor
Sinto falta do teu sorriso
Do som da tua voz...
Falta-me a luz dos teus olhos
Para me guiar na escuridão da noite
Uma noite sem Lua
E sem guia...
Uma noite deserta
Sem alegria...
Mais uma noite no escuro
Mais uma noite sem futuro
Mais uma noite...

Osculações & Amplexos,
AlmaMater

As Praias...


A Praia I

Numa praia perdida
Sinto a areia nos pés
O mar beija-me docemente,
E eu o acaricio...
Sinto o sol a queimar-me a pele
E fumo um cigarro.
O vazio apodera-se de mim
E tu fugiste!
E cheiro a brisa que se levanta.
AH! Como é bom poder-me perder assim!
AH! Como é bom estar aqui e em lado nenhum ao mesmo tempo!
Mas o vazio cá continua
E tu não voltaste!
Resta-me a praia perdida
Em lado nenhum...


A Praia II

Só, corro pela praia deserta
Espero por ti no fim
Mas não apareces!
Somente vejo o que resta da tua espera...
O véu...
O véu onde estavas deitada
O que resta da tua espera, lá está!
Deitado na areia
Largado ao vento...
O véu ficou...
Só...
Abandonado...
Como véu, estou eu!
Só e abandonado!
Numa praia deserta...


A Praia III

O cheiro da praia
Invade o ar
O absinto corre lentamente
Pela minha garganta...
O seu sabor delicado
Invade a minha Alma
O perfume do ópio
É inalado pelo meu nariz
E assim começa a viagem...
Uma viagem por entre uma realidade alternativa!
Uma realidade mais bela,
E menos cruel...
AH! O prazer começa a fazer-se sentir...
Hoje vai ser dia de uma longa viagem
Onde o regresso está longe para chegar!!!
É o início da felicidade!


Osculações & Amplexos,
AlmaMater

Saturday, April 21, 2007

TABACARIA - ÁLVARO CAMPOS



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

Osculações & Amplexos,
AlmaMater